segunda-feira, 10 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
2 Revistas

sábado, 8 de agosto de 2009
"Poema Trágico: Ai de Mim"

sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Sr. R vai partir para a Groenlândia...
...E por falar em Perec...
Eu me lembro de jantares na grande mesa da padaria. Sopa com leite no inverno, sopa com vinho no verão.
Eu me lembro do presente Bonux disputado com minha irmã sempre que uma nova caixa era comprada.
Eu me lembro de nosso carro que pegou fogo no bosque de Lancôme em 1976.
Eu me lembro dos jogos de elástico na escola.
Eu me lembro da sirene tocando, algumas tardes, na esquina da escola e que vibrava até invadir nossa casa.
Eu me lembro do Senhor Mouton, o oftalmo, que tinha um bigode branco.
Se clicar.... Deneuve vaiada!
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Co-habitação
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Hisashi Tenmyouya, o Samurai Adidas.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Infância 1
Infância 2
O Avô do meu Avô
Por volta de 1996 descobre-se no sótão de uma casa no interior da França, uma carta postada no Brasil em 1832. Uma carta escrita no fim de uma vida, relatando a um irmão mais velho uma existência inteira cheia de aventuras. A partir dessa carta fascinante o pesquisador Vincent Mareaux escreveu o livro: “PIERRE VICTOR RENAULT – Um Pioneiro Francês no século XIX.” Pierre Victor veio para o Brasil de castigo. Na França de 1830 não era de bom tom ter desejos republicanos. Sendo filho de Prefeito, então, nem pensar! O pai de Pierre-Victor não pensou duas vezes. Sem uma lágrima nos olhos, ao lado da esposa chorosa, embarcou o filho de 21 anos para bem longe, ou seja, um remoto Brasil que oferecia o posto de engenheiro numa mina explorada pelos franceses nas Minas Gerais. Com uma mala na mão e sem nada nos bolsos aporta no Brasil um jovem que iniciaria uma vida de audácia e generosidade. Começo dificílimo no Novo Mundo: a mina para a qual trabalharia fora vendida. O jovem quase foragido ficou sem mina, nem eira nem beira. Vendeu as roupas preparadas pela mãe para a viagem: roupas francesas! Depois de levar muita porta na cara foi contratado como contador mais pelos seus dotes de jogador de xadrez do que pela contabilidade em si. A condição do contrato era que jogasse com o patrão além do expediente. Xeque-Mate: juntou dinheiro! Depois de dois anos apresentou-se ao presidente da província para conseguir um emprego de engenheiro. Conseguiu. Teria que atravessar um terreno freqüentado por índios antropófagos liderando uma expedição pioneira. Desbravou terras e mais que isso ganhou a confiança dos índios e aprendeu a língua deles. Ganhou também a confiança do governo. Tornou-se estudioso das reservas minerais, fauna, flora e tribos indígenas e suas línguas. Outras expedições vieram, mas a saúde debilitou-se em expedições dignas de um Indiana Jones. Produziu diversas pesquisas sobre o uso medicinal das plantas. Cultivou e batizou uma orquídea, até então desconhecida. Publicou uma grande novidade na época: o “Sistema Métrico Decimal”. Editou diversas obras: “Tesouro das Famílias”, livros didáticos de Geografia, Aritmética e Linguagem traduzidos para o francês. Fundou o Colégio Renault, onde foi professor de Matemática, Geografia e História. Foi vice-cônsul da França. Virou nome de Rua em Barbacena. Casou-se, teve 13 filhos e deixou mais de 500 descendentes, hoje espalhados pelo Brasil. Pierre Victor foi exilado pelo próprio pai, nunca reviu sua família ou seu país. Uma carta perdida, mais de um século depois, fez as famílias francesa e brasileira se conhecerem. Hoje, lembro sempre do primeiro Renault que chegou sozinho, sem nada, no Brasil. Ele atravessou florestas, foi amigo dos índios, aprendeu com as plantas, cuidou de doentes, ensinou ciências, publicou livros. Quando a vida não me parece fácil, lembro que além de tudo, ele ainda plantou orquídeas.Revista Poder
Foto Arquivo: Pierre Victor Renault
domingo, 2 de agosto de 2009
Felipe Veloso, Saint Laurent et Pierre Bergé
Brasília da Tijuca
Em Moko no Brasil escrevi sobre Brasília:
"Ryû, irmão de Moko, passaria uns dias em Brasília. Queria conhecer uma cidade construída nos anos 60, futurismo retrô sujo de barro vermelho, como viu nas fotos de um livro sobre “Grandes Construções da Humanidade”, usado como referência na concepção de cenários para a criação de seus games. A catedral era a sua construção preferida – uma coroa tamanho colossal de um vilão qualquer de Star Trek caída no chão de um deserto africano.
Enquanto andava pelo plano-piloto, por trilhas formadas nos canteiros pela insistência de inevitáveis pedestres, Ryû pensava que todos aqueles prédios lindos deveriam estar no Rio de Janeiro, sim, lá deveriam ser construídos, de frente para o mar, naquele lugar horrível depois de um túnel imenso, qual era mesmo o nome? Barra, isso, Barra, todos aqueles prédios na Barra. Virada para o mar, a Esplanada dos Ministérios, na beira da praia a catedral fincada na areia.
Ryû redesenhou a sua Brasília à beira-mar, desejando liberá-la do cerrado e da falência modernista."
Se tantos concordam que Brasília é uma idéia de gerico e que a capital deveria voltar ao Rio (ou outro lugar, que seja) por que ninguém fala nisso concretamente? Basta alguém querer. O sonho urbansita do japonês Ryû não é apenas um capricho estético. Marshall Bermann diz hoje no Mais: "Os moradores ( de Brasília) viram que era um desastre levar a vida em uma cidade cujos segmentos não interagem. (...) Brasília é construída de modo a evitar que as pessoas se encontrem. Perde-se muito do excitante, do especial, da vida moderna."
O texto de Moravia quando da visita a cidade em construção é exemplar: "Brasília foi construída por vontade de Kubitschek, que é um presidente democrático, para um Brasil democrático.Mas a observação daqueles edifícios que se elevam como torres no meio de enormes espaços vazios faz pensar em lugares e monumentos de antigas autocracias, por exemplo em Persépolis, que tinha suas colunas gigantescas em frente a uma planície não muito diferente daquela de Brasília.A atmosfera ditatorial é, por outro lado, confirmada pela solidão metafísica dos lagos de asfalto em que surgem os edifícios. Essas solidões urbanas antecipadas nas perspectivas surrealistas de De Chirico e Salvador Dalí expressam muito bem o sentido de mistério e desorientação que o homem moderno sente diante dos poderes que o governam. Fica claro que estamos diante de uma explosão barroca mascarada de funcionalismo."
E o que fazer com o lugar, quando a capital do país for transferida? Nada ou projetos não faltarão.













