sábado, 10 de março de 2012

Nicholas Carr_O que a internet está fazendo com os nossos cérebros

“Comecei a perceber que a internet estava exercendo uma influência muito mais forte e mais ampla sobre mim do que o meu velho PC. Não era apenas o fato de que eu estava despendendo muito mais tempo diante de uma tela de computador. Não era apenas o fato de que tantos dos meus hábitos e rotinas estavam mudando porque me tornei mais acostumado com, e dependente dos, sites e serviços virtuais.
O próprio modo como o meu cérebro funcionava parecia estar mudando. Foi então que comecei a me preocupar com a minha incapacidade de prestar atenção a uma coisa por mais do que uns poucos minutos. A princípio, pensei que o problema era um sintoma de deterioração mental da meia-idade. Mas o meu cérebro, percebi, não estava apenas se distraindo. Estava faminto. Estava exigindo ser alimentado do modo como a internet o alimenta – e, quanto mais era alimentado, mais faminto se tornava. Mesmo quando eu estava longe do meu computador, ansiava por checar os meus e-mails, clicar em links, fazer uma busca no Google.

Queria estar conectado. Eu sentia, havia me transformado em algo como uma máquina de processamento de dados de alta velocidade. Sentia saudades do meu antigo cérebro.”

in A Geração Superficial_Nicholas Carr_Editora Agir


Paulo Henriques Britto_Formas do Nada_Poemas

Biographia literaria

VII

Nada disso foi do jeito que eu quis,
Se fosse como eu quis, não haveria
de ser tão sofrido, tão infeliz.
Mas eu - o que eu sou - eu não seria.

Assim, não me lamento. Até me sinto
como quem tem não o que foi pedido,
e sim o que, guiado pelo instinto,
não pelo querer, teria querido.

O que de mais duro a vida me deu
- que dura mais quanto mais me custou
dele me acostar, e torná-lo meu -

o que não escolhi, mas me escolheu,
é o que, ao fim e ao cabo, mais eu sou.
Não é o que eu me quis. Mas sou eu.

in Formas do Nada_Companhia das Letras

sexta-feira, 9 de março de 2012

Hawaii_Hula




Jarbas Agnelli_The City of Samba



The City of Samba from Jarbas Agnelli on Vimeo.

vai no 2'15 qdo chega na Sapucaí...

Oi

via bremser

Nuno Ramos_Cujo

"Criar cada detalhe. Se for pendurar algo, por exemplo, criar o grampo. Se o grampo estiver pendurado no teto, criar o teto. Se for o teto de uma casa, criar a casa ou, se estiver a céu aberto, criar o céu aberto."

in Cujo_Nuno Ramos_Editora 34

FHC_A SOMA E O RESTO

"Então acho que dei um sentido certo à minha vida. Esse sentido tem que ser dado por cada um. Não está dado que todos tenham que ter o mesmo sentido e haverá quem nunca encontre sentido na vida e fique batendo cabeça. Essa angústia vai ser permanente. Não tem solução. É parte da condição humana. Não sabemos de onde viemos, não sabemos para onde vamos. Tampouco sabemos por que e para que estamos aqui. O que não podemos é deixar que essa angústia da morte e da ausência de um destino claro nos paralise."

Fernando Henrique Cardoso in A Soma e o Resto_Um olhar sobre a vida aos 80 anos.
Editora Civilização Brasileira

quinta-feira, 8 de março de 2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

Capeto

Zuenir Ventura_Extravagância ambiental

O GLOBO_07/03/12

A coluna Gente Boa denunciou que "113 árvores, algumas com mais de 60 anos, serão retiradas da Praça N. S. da Paz para a construção da estação de metrô". Dessas, se contei direito, 41 têm o tronco tão volumoso que eu não conseguiria abraçar. Os geniais autores da extravagante ideia dizem que elas serão transferidas para outro local e depois voltarão à origem. Olhando as gigantescas árvores, cujas raízes se espalham pelo chão, fiquei curioso de saber como será a operação de extração, transporte e transplante. Na Amazônia, os desmatadores usam grossas correntes para arrancar e arrastar os troncos. Será que vão usar aqui o mesmo sistema? Quem sabe? Outra pergunta é por que, em vez de devastar a praça, ponto de encontro de idosos e local de diversão da criançada, não se faz a estação desapropriando algum imóvel no entorno, como já foi sugerido? Não sei. Vai ver que é para construir outro monstro arquitetônico como o da Praça General Osório, que o governador e o prefeito devem achar bonito.

Por muito menos, em 1980, ainda com ditadura militar, um pioneiro movimento de protesto ecológico ficou como marco de resistência cívica. Quando souberam que para construir um condomínio iam derrubar uma centenária figueira, moradores do Jardim Botânico liderados pelo editor e jornalista Leonel Kaz se mobilizaram, protestaram, recorreram à Justiça e conseguiram que o projeto fosse modificado para que a árvore permanecesse de pé. Além disso, um decreto municipal garantiu a integridade da "Figueira da Rua Faro", que continua lá até hoje como símbolo da luta pela preservação ambiental no Rio.

Falando depois sobre a vitoriosa campanha, Kaz ressaltou a importância dos abaixo-assinados, das passeatas, das notícias na imprensa, mas considerou que foi "imperioso ter ajuizado ações de embargo em todas as instâncias do poder público". Portanto, Associação de Moradores e Projeto de Segurança de Ipanema, é importante recorrer ao Ministério Público, Ibama, Iphan, Inepac e secretarias. Alô, Carlos Minc!

É claro que ajudaria muito se um pouco da energia e da animação despendidas pelos milhares de foliões ipanemenses no carnaval se transformasse em indignação e resolvesse criar o bloco Ocupe a Praça. Nele, até o velhinho aqui seria capaz de desfilar. Puxado pela Alice, claro.


Deixem a Praça em Paz!
*

terça-feira, 6 de março de 2012

Martina Hoogland Ivanow_Speedway

















http://www.martinahooglandivanow.com/

via http://www.we-find-wildness.com/

Edward Lear_A Book of Nonsense_1855/1861

"Havia um velho de Madagascar,
Cuja conduta era bem peculiar;
Alimentou toda sua prole somente com rocambole,
Esse extravagante velho de Madagascar."
             *
"Havia um velho num terreno elevado,
Que raramente, ou nunca, ficava parado;
Para cima e para baixo ele ia, com o vestido longo da tia,
Que ornava o velho num terreno elevado."

tradução de Dirce Waltrick do Amarante in Viagem Numa Peneira_Iluminuras






http://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Lear

domingo, 4 de março de 2012

Georges Perec_As Coisas

"Acreditavam estar imaginando a felicidade; acreditavam que sua invenção era livre, magnífica, e que, por ondas sucessivas, impregnava o universo. Acreditavam que lhes bastava andar para que fosse uma felicidade. Mas se viam sozinhos, imóveis, um pouco vazios. Uma planíce gélida, uma estepe árida: nenhum palácio se erguia às portas dos desertos, nenhuma esplanada lhes servia de horizonte. "

sexta-feira, 2 de março de 2012

Georges Perec_As Coisas

"Queriam combater e vencer. Queriam lutar, conquistar sua felicidade. Mas como lutar? Contra quem? Contra o quê? Viviam num mundo estranho e variável, o universo cambiante da civilização mercantil, as prisões da abundância, as armadilhas fascinantes da felicidade."

quinta-feira, 1 de março de 2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012